Daniel Jorge
A poesia faz a gente ver a vida de forma diferente, mesmo enfrentando tudo e todos.
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A primavera ensaiava sua despedida, preanunciando o verão que logo passaria a aquecer os corpos e mentes dos habitantes dessa porção do hemisfério sul, chamado Brasil. Foi este o contexto que você chegou. E, desde o início, se fez próxima do coração, da emoção e da vontade de viver o impensável, como relatado nos contos, onde os sonhos são ilimitados.

 

O simples ato de chegar perto parecia roubar o calor do verão, concentrando-o nos corações, que se transformavam no mais belo canto universal de amor, sem medo, sem culpa e sem rancor, apenas querendo viver intensamente o presente. Que espetáculo de sentimento, doce, suave, envolvente, simplesmente, delicioso de sentir.

 

Ao toque das mãos, o sangue se agitava nas veias, a adrenalina predominava, e mesmo sem o uso de palavras, conseguiam revelar as mais profundas e incontestáveis declarações entre seres que descobriam na prática o poder da química nas entranhas do corpo humano.

 

Os olhos confessavam, por mais que tentasse esconder, que isso tudo era um sonho bom, difícil de negar, ignorar e de esquecer. Ambos curtiam e se alimentavam dessa emoção. Desejavam filhos como prolongamento dessa união. Sim, tudo fluía na maior naturalidade, preenchendo aqueles dias cheios de felicidade.

 

Até em falar a distância, surge uma energia diferente no ar, capaz de corrigir as arestas, que eventualmente, possam se apresentar, como possível obstáculo, desse jeito incrível de sonhar. São muitos os sonhos contados e repassados na imaginação, parecem cena de filme, só que no silêncio, restrito à terra do coração.

 

Toda essa química tem nome, o tempo já comprovou, com gestos, sinais e ações, enfim, com tudo que se passou, desde aquele verão aquecido, que modelou com capricho, as marcas nos corações, que se revelam em poesias, sonetos e canções.

 

Mas, assim como a primavera sai de cena com o verão, ousaram imitá-la em suas decisões. És primavera, flores belas, perfume no ar, aconchego, jeito delicado, força viva, que resiste na doçura do teu ser. Eis aqui o verão, por vezes ardendo de paixão, por vezes impulsivo, ora compreensivo, outrora inquieto e às vezes sem ação. 

 

Por isso, a cada estação, especialmente quando chega o verão, fica difícil esquecer a primavera que foi você. Apesar do vai e vem das estações, és um sonho bom! Um sonho entregue ao tempo, dono da situação, que definiu desde o princípio, um tempo próprio para cada ação. Se ainda não aconteceu, por certo, não houve razão de ser. Mas, e quando houver, será o que a primavera vai responder?

Daniel Jorge
Enviado por Daniel Jorge em 26/09/2025
Alterado em 04/03/2026
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